A busca por uma dieta alimentar saudável aliada à praticidade tem levado cada vez mais pessoas a substituir refeições por shakes, barras de proteína e iogurtes com alto teor proteico, ou seja, produtos processados. Segundo levantamento da Euromonitor – empresa especialista em inteligência de mercado -, o setor brasileiro de produtos naturais, orgânicos e funcionais movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano, com destaque para o segmento de alimentos proteicos, que já representa R$ 2,1 bilhões e deve atingir R$ 3,1 bilhões até 2028.
Embora possam fazer parte da rotina alimentar, esses produtos devem ser consumidos com moderação. É o que aponta o estudo Alimentos ultraprocessados e saúde humana: a tese principal e as evidências, publicado na revista The Lancet, associando o consumo frequente de alimentos ultraprocessados ao aumento do risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Yuri Sato, nutricionista e coordenadora de Nutrição do grupo Care Plus, explica que alegações como ‘fit’, ‘zero açúcar’ ou ‘alto teor de proteína’ não significam que um alimento é saudável. A recomendação é observar o grau de processamento do produto, conforme a classificação NOVA, que categoriza os alimentos pelo nível de processamento, e o Guia Alimentar para a População Brasileira, documento oficial do Ministério da Saúde sobre alimentação saudável. Para isso, a especialista atenta para a importância da leitura dos rótulos para a escolha dos produtos. “Uma regra básica é: dê prioridade a alimentos in natura – como frutas, legumes, verduras e grãos – ou alimentos minimamente processados”, diz.
Ela prefere não condenar os alimentos processados e afirma que eles não precisam ser completamente excluídos da dieta alimentar, mas devem ser consumidos de forma pontual e inseridos em um planejamento alimentar individualizado, considerando as necessidades nutricionais, a rotina e os hábitos de cada pessoa.
Planejamento alimentar
Para quem enfrenta uma rotina intensa, o planejamento alimentar pode ser o principal aliado para evitar que a praticidade avance para uma dependência de produtos industrializados. O Guia Alimentar aponta que a falta de tempo, a perda das habilidades culinárias e a publicidade são alguns dos principais obstáculos para uma dieta equilibrada. Nesse contexto, o acompanhamento nutricional pode apoiar na mudança de comportamento de acordo com o contexto de cada pessoa , além de facilitar a organização das refeições.
Yuri afirma que mais do que classificar alimentos entre bons e ruins, o desafio está em construir hábitos sustentáveis. “Produtos proteicos e outros alimentos industrializados não devem substituir, de forma recorrente, refeições completas e variadas”, afirma ela, reforçando que comer bem envolve planejamento, autonomia e valorização da culinária. ”Escolhas saudáveis dependem menos de produtos específicos e mais da construção de uma rotina alimentar equilibrada”, completa.







