O projeto da ZGF Architects, de expansão do Aeroporto de Portland, foi apresentado durante o Modern Construction Show, que se encerrou nesta quinta-feira (1/10), no Distrito Anhembi, em São Paulo.
A expansão do Aeroporto Internacional de Portland, nos Estados Unidos, combinou cobertura em madeira engenheirada com vigas metálicas e colunas de sustentação em formato Y, preenchidas com concreto para proteção contra o fogo, e ferramentas digitais para duplicar a capacidade do terminal central sem elevar o consumo de energia. O projeto da ZGF Architects foi apresentado pelo arquiteto Bráulio Baptista, sócio da empresa, no Seminários AsBEA-SP, durante o Modern Construction Show, que se encerra nesta quinta-feira (1/10), no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Considerado um dos melhores aeroportos dos Estados Unidos, o complexo de Portland reúne 12 prédios construídos ao longo dos anos e possui cerca de 100 mil m² de área existente. A concepção arquitetônica buscou criar uma experiência relacionada à paisagem local, enquanto a solução estrutural considerou as características sísmicas da região, por isso a cobertura foi projetada para se movimentar independentemente dos edifícios abaixo em caso de terremotos de grande magnitude. Ao mesmo tempo, a expansão dobrou a área do aeroporto sem aumentar seu consumo de energia.
O desenvolvimento utilizou os softwares Revit, Rhino e Grasshopper e adotou a metodologia Design for Manufacturing and Assembly (DFMA), voltada à otimização da fabricação e montagem. A aplicação da metodologia permitiu reduzir de 31 para sete os perfis únicos utilizados por módulo. Na estrutura, 670 colunas existentes deram lugar a 34 novas colunas, enquanto a solução eliminou a necessidade de novas paredes de cisalhamento.
Mudanças climáticas e a construção dos empreendimentos
As mudanças climáticas e as condições territoriais de São Paulo estão sendo incorporadas ao planejamento das políticas de habitação e desenvolvimento urbano do Estado. Maria Cláudia Pereira de Souza, diretora de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), apresentou aspectos do Plano Estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação, que considera desafios como aumento das temperaturas, ondas de calor, incêndios, ocupação do solo e disponibilidade de recursos hídricos, durante o Seminários AsBEA-SP, no Modern Construction Show.
Entre as iniciativas apresentadas estão o uso das ferramentas C-Carbon e C-Hídrica, desenvolvidas em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), para avaliar empreendimentos habitacionais de interesse social. Segundo Maria Cláudia, a CDHU está entre as primeiras instituições a utilizar essas ferramentas nesse segmento e busca contribuir para seu aprimoramento.
A escolha de materiais com menor impacto ambiental deve fazer parte da transformação da construção diante dos desafios climáticos atuais, avaliou José Renato Nalini, secretário executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo. Em sua apresentação, ele destacou o potencial de insumos cuja fabricação seja menos poluente. “Nós temos hoje a madeira engenheirada, que substitui com muita eficiência materiais tradicionais como cimento, concreto, ferro, aço e vidro”, exemplificou.
Para Nalini, a construção também precisa incorporar critérios estéticos, ambientais e de resiliência, contribuindo para tornar as cidades mais agradáveis e preparadas para os impactos das mudanças climáticas. “A emergência climática existe e precisamos chamar a atenção dos empreendedores, jovens arquitetos e engenheiros para não repetir essa mesmice de multiplicação de edifícios todos iguais. Nossa missão é tornar as cidades brasileiras cada vez mais agradáveis, resilientes e sustentáveis”, frisou.
As decisões tomadas na fase de projeto podem determinar até 90% da performance de uma edificação, tanto em seu uso quanto em sua construção. Para Giuliano Polito, CEO da Brazilian Host, o arquiteto é um elo fundamental para conectar a concepção do empreendimento às estratégias de industrialização e aos resultados ambientais. Embora a etapa de projeto represente cerca de 5% da pegada de carbono, ele ressaltou que a maior parte das decisões que determinam esse impacto é tomada nesse momento. “A construção industrializada abre muitas oportunidades. Ela, por si só, não é uma fórmula mágica, mas permite uma série de ganhos”, explicou.
Transformar dados produzidos pela ciência em informações capazes de orientar políticas públicas é uma das frentes de atuação da Universidade de São Paulo (USP) na adaptação das cidades às mudanças climáticas. Denise Helena Duarte, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), citou iniciativas, como o Sampa Adapta, cooperação técnica que reúne pesquisadores da USP, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente e outras áreas da Prefeitura de São Paulo para monitorar temperatura e umidade em diferentes regiões da cidade. O projeto utiliza 25 sensores instalados em áreas que normalmente não são contempladas pelo monitoramento climático, incluindo regiões periféricas e territórios informais. A iniciativa também adota o conceito de ciência cidadã, com moradores, professores e agentes de saúde atuando como “guardiões” dos equipamentos instalados em suas comunidades.
Não existe sistema construtivo ideal
Não existe um sistema construtivo ideal para todos os empreendimentos. A escolha depende das características e demandas de cada projeto e, cada vez mais, combina diferentes tecnologias. Essa foi a principal conclusão do Painel dos Seminário AsBEA-SP, “Concreto, madeira ou aço – existe um sistema ideal?”, durante o Modern Construction Show.
Especialistas em concreto, aço e madeira apresentaram exemplos que mostram como a combinação de sistemas pode ampliar as possibilidades da industrialização. Íria Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), comparou projetos na Áustria e no Brasil, incluindo o Parque da Cidade, em São Paulo, e o Henkel Inspiration Center Latam, em Jundiaí.
Nicolaos Theodorakis, fundador e CEO da Noatech, destacou a relação entre madeira engenheirada, eficiência construtiva e descarbonização. Ele apresentou o método Noah, que tem o potencial de reduzir em até 50% o prazo das obras. Já José Augusto P. Cordeiro, vice-presidente de Estruturas Metálicas da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), ressaltou que a definição do sistema deve partir das demandas do empreendimento e ser considerada desde as primeiras etapas.
Sustentabilidade, desempenho e tecnologia nas edificações
Ainda existe uma diferença significativa entre o desempenho estimado durante o projeto e o comportamento real dos edifícios ao longo de sua operação. Segundo de Alex Takaoka, CTO da Valor da Água | VR Tools, tecnologias como gêmeos digitais, telemetria, instrumentação e modelos preditivos permitem acompanhar o uso do empreendimento e gerar informações capazes de orientar ajustes contínuos nos sistemas, ou seja, é preciso incorporar a tecnologia a todo o ciclo de vida do empreendimento, considerando como o edifício será utilizado ao longo de seus 30 ou 50 anos de vida. O cruzamento de dados sobre ocupação e padrões de uso com informações climáticas, por exemplo, pode permitir ajustes da climatização conforme a necessidade de cada ambiente, contribuindo para reduzir o consumo de energia e água.
Raquel Sanches, diretora de Projetos, Conforto Ambiental e Sustentabilidade Sênior da CA2 Consultores Ambientais Associados, mostrou como as ferramentas disponíveis no mercado é possível desenvolver projetos com referências, criando um processo cíclico de validação de edificações que apresentam melhor desempenho. “A consequência é que direcionamos decisões para o projeto e a obra. Aplicando esse conceito à construção industrializada, passamos a olhar para a sustentabilidade da edificação desde o anteprojeto, desde o momento de decisão pelo processo construtivo a ser aplicado”.
A sustentabilidade de um edifício começa nas decisões tomadas ainda na fase de projeto, mas o projeto, por si só, não basta para comprovar seu desempenho. Segundo José Bonivento, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Sintali, a certificação tem o papel de organizar essa complexidade, orientar o desenvolvimento do projeto, medir resultados e verificar o cumprimento das metas estabelecidas pelo cliente. “A certificação é a prova de que as decisões dos arquitetos sobre o projeto geram valor”, afirmou Bonivento.
Ferramentas para sustentabilidade na construção
A apresentação de ferramentas disponíveis gratuitamente no mercado voltadas ao cálculo de Gases de Efeito Estufa, pegada de carbono e utilização de recursos hídricos tem contribuído para a construção de projetos orientados a desempenho, organizando e orientando o serviço de arquitetura e da engenheira e a etiquetagem de projetos e edifícios sustentáveis, tanto públicos quanto privados. Durante os Seminários AsBEA-SP, Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Comitê de Meio Ambiente (Comasp) do Sinduscon-SP; Clarice Degani, diretora-executiva do Conselho Brasileiro da Construção Sustentável (CBCS); e Lucas Melchiori Pereira, professor da FAU/USP, discorreram de modo didático sobre os mecanismos e as políticas públicas existentes relacionados, especialmente, Taxiconomia Sustentável Brasileira (TSB) e seu impacto na construção civil, calculadoras cecarbon e cehidrica, sistema Sidac, PBE Edifica e BIPc, entre outros.
Uma realização da Francal, o Modern Construction Show tem a Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), a Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic) e a Associação Brasileira da Construção Industrializada em Madeira Engenheirada (Abracime), como entidades correalizadoras.
Sobre o Modern Construction Show
Data: 29 de setembro a 1 de outubro de 2026
Horário: 13h às 20h
Local: Distrito Anhembi/SP
Credenciamento gratuito: https://
Sobre a Francal
A Francal foi fundada em 1969, na cidade de Franca, no interior de São Paulo. Atualmente, conta com um portfólio de 16 eventos e, há 56 anos, contribui para o fomento do desenvolvimento econômico e social do país. Maior promotora de eventos 100% brasileira, a Francal atua em 15 diferentes setores, conectando a indústria brasileira ao varejo e a importadores dos cinco continentes. Reúne negócios, conhecimento, soluções e serviços para o B2B, sempre em sintonia com as demandas de um setor em constante transformação.







