Os desafios e oportunidades no comércio internacional de pescado são debatidos na Seafood Show Latin America 2026

O mercado mundial de pescado atravessa um período de expansão, movimentando cerca de US$ 184 bilhões, impulsionado pelo crescimento da aquicultura que, pela primeira vez, ultrapassou 100 milhões de toneladas, consolidando-se como um dos principais pilares do abastecimento global de proteína aquática diante dos limites da pesca extrativa. O desafio está na disputa por espaço no comércio internacional.

Na Seafood Show Latin America 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, que acontece até quinta-feira (22/10), Brasil, Vietnã e Chile discutiram o futuro de polos produtivos globais. Apesar das diferenças entre os sistemas de produção, os três países enfrentam desafios semelhantes, como a volatilidade dos custos, as barreiras comerciais, as exigências sanitárias e a necessidade de agregar valor aos produtos para ampliar as margens de lucro.

A secretária geral adjunta da Association of Seafood Exporters & Producers – VASEP do Vietnã, To Thi Tuong, lembrou que o país levou três décadas para alcançar a excelência na piscicultura e hoje é um grande player no mercado mundial de peixes, com destaque para a tilápia. Já o chileno Patrício Melero, presidente da SalmonChile, apresentou o sucesso da produção de salmão em cativeiro em seu país. “Hoje, 95% de toda produção nacional é exportada. Os Estados Unidos é o principal comprador e o Brasil aparece em segundo lugar como parceiro comercial”.

Francisco Medeiros, diretor presidente Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR) lembrou que o país iniciou o processo de profissionalização da piscicultura há 15 anos, o que ajudou no crescimento anual de 10% nos dois últimos anos. A exportação, entretanto, ainda é pequena por conta do aumento do mercado interno. “A piscicultura também é o setor mais regulamentado do país o que gera dificuldades. Mas os ajustes estão sendo feitos, afinal somos um setor jovem e é preciso ir acertando essas questões”, explica Medeiros, que comemora o fato de a piscicultura brasileira ter alcançado um marco histórico em 2025, ao superar 1 milhão de toneladas de peixes cultivados. Desse total, 707.495 toneladas corresponderam à tilápia, responsável por aproximadamente 70% da produção nacional. 

Pirarucu de 140 Kg

Com mais de 2.000 espécies comerciais de pescado, o Brasil mostra a qualidade de seu produto na Seafood Show Latin America 2026, em diferentes apresentações. A valorização do pescado amazônico foi mostrada no palco Seafood Service Show com a desossa e filetagem de um pirarucu de 140 kg. Para Vinícius Lopes, diretor regional Amazônia do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), este é um trabalho no âmbito do Projeto Rural Sustentável Amazônia, executado com cinco organizações socioprodutivas da cadeia do pirarucu de manejo no estado do Amazonas. “É a busca de fortalecimento continuado, a partir de capacitações, assistência técnica e ações de promoção de mercado, para que as comunidades busquem melhorar seus processos produtivos, apresentem para o mercado produtos de mais qualidade e, assim, consigam maior agregação de valor” explica.

A coordenadora Comercial da Associação dos Produtores Rurais do Carauari (Asproc), Ana Alice Oliveira de Britto, acrescenta que também se trabalha a logística e a comercialização de pirarucu de uma dezena de áreas de produção para enfrentar o desafio de chegar ao mercado com preço justo e acesso a políticas públicas pelos manejadores. “O manejo do pirarucu permite preservar outras espécies como o Tambaqui e aumenta a oferta de pescado à população”, explica. 

Mais informações:
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Enio Campoi – enio@meccanica.com.br – 11 99981-9950

 

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