Mais um caso lamentável e revoltante de feminicídio. E aqui, perto de nós, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. E vitimando uma colega de profissão, a jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos. As agressões contra as mulheres não cessam, os casos se sucedem todos os dias e nem a Justiça, nem a ação policial conseguem frear os absurdos cometidos em todos os cantos das cidades, diariamente.
A indignação é total entre os colegas de Vanessa, profissional séria, competente, e de uma alegria contagiante, conforme afirmam aqueles que conviviam mais perto dela. Todos lembram que ela estava sob medida de proteção judicial. Que proteção é essa? Passou da hora de se debater melhor uma medida legal feita para proteger mas que, comprovadamente, e os casos estão aí se acumulando em todos os cantos, não conseguem verdadeiramente proteger. Vanessa, e tantas outras mulheres que foram e tem sido vítimas de agressão estando ou não sob a medida de proteção.
É bom lembrar, também, que o músico que assassinou a jornalista tinha seu nome em 11 denúncias apresentadas por outras vítimas, anteriores a Vanessa. Não existe uma explicação lógica para esse fato. Depois de 11 denúncias de agressão, o agressor estar circulando normalmente na cidade até que concretizasse sua senha assassina. Algo está fora da ordem, alguma coisa não está correta.
Muitas famílias, em todas as cidades, em todos os Estados do Brasil tem convivido com esse problema. Este jornalista que vos escreve, viu e viveu esse problema de perto. Na oportunidade, a família recorreu à Delegacia da Mulher, aos canais competentes para proteger a vítima, sob ameaça. Demorou, mas acabou saindo a medida protetiva – ação que precisa ser muito mais rápida levando-se em conta as possíveis consequências. Confirmada a medida, ela não foi suficiente para afastar o inconformado e ameaçador ex-companheiro da mulher ameaçada. Ele voltou a assediá-la e, por precaução, a família decidiu afastá-la da cidade. E foi graças a essa atitude que foi possível resguardar a vítima de algo pior. A medida protetiva já havia sido ignorada pelo potencial agressor.
Tudo isso prova e comprova que as leis precisam ser reestudadas. As formas de combater esses crimes precisam ser mais eficientes, porque tem se mostrado ineficientes. Não tem salvado as vidas que precisam ser salvas. O caso da Vanessa é mais um, entre tantos.
Autoridades se manifestaram nesta quinta-feira (13) com demonstrações de indignação. O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), usou as redes sociais para lamentar o crime bárbaro. Defendeu a urgente punição ao agressor.
A deputada federal Camila Jara (PT) também se manifestou e falou da necessidade de aprimorar as medidas que possam evitar tantos crimes contra as mulheres.
O que mais podemos e devemos fazer? Assim reagiu Rose Modesto, ex-parlamentar, depois de falar sobre a legislação, as medidas de proteção, reconhecendo que nada tem impedido que as agressões e crimes se acumulem.
Que a família e os amigos de Vanessa tenham conforto e que ela tenha muita luz e siga com a alegria que distribuiu aqui.
(Da Redação)