Você sabia que em Mato Grosso do Sul uma mini-indústria produz um queijo diferenciado e de sabor único? Ele é produzido de forma semi-artesanal no município de Paraiso das Águas, para onde Álido Brun, o patriarca da família Brun, vindo da cidade de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, se instalou. Ao chegar em MS na década de 1980, ele foi ao Incra e conseguiu não apenas uma terra para ele, em São Gabriel do Oeste, como arrendatário, mas também para outros 15 pequenos produtores.
Depois de muito trabalho na produção agrícola, mudou para Chapadão do Sul. Teve altos e baixos, quebrou, recomeçou e enfim, ao abraçar a pecuária leiteira, e ao ver que só vendendo leite não conseguia boa remuneração, passou a agregar valor ao seu produto. Com esforço chegou ao queijo Brun que costumava afirmar como “Único no mundo”, hoje em totais condições, até, de virar produto de exportação.
Apoio do Senar/MS
Álido Brun, que já se mudara para Paraiso das Águas, faleceu no ano de 2021, mas deixou seu produto conhecido e consolidado no mercado. Assim, sua família pôde dar continuidade ao trabalho. Sua filha Silvana abraçou a pequena indústria e ao perceber que precisava aprimorar todos os processos, legalizar o produto, procurou o Senar/MS. Hoje, muito agradecida, diz que no Senar conseguiu todo o apoio, as orientações, que transformaram o Queijo Brun, num sucesso ainda maior. agora uma marca forte, legalizada e que ganha cada dia mais espaços nos mercados regional e nacional.
Em Paraíso das Águas, a tradição iniciada pelo visionário produtor rural ganhou novos rumos. E conforme conta orgulhosa Silvana Brun, com o apoio do Senar/MS por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústria, o seu produto conquistou a formalização, abriu caminho para premiações e consolidou-se como um orgulho do Mato Grosso do Sul.
“Parece que a gente não consegue trabalhar mais sem o Senar. Hoje, tudo o que faço troco ideia com o pessoal do Senar. Eles sempre apresentam soluções e ideias novas. Me falaram que o atendimento acontece por dois anos, mas eu quero para sempre”, destaca a atual responsável pela queijaria e herdeira do legado.
A virada começou com a visita de uma técnica de campo do Senar/MS, que conversou com Silvana, explicou sobre tudo o que a instituiçao poderia contribuir com a atividade e Silvana topou o desafio. Passou a ser acompanhada de perto pelos técnicos, conhecer os programas. Foi passo a passo, como quem cuida de massa em temperatura certa: rótulo, embalagem, higiene, organização da produção, ajustes na estrutura, protocolos e papelada. De “fama na boca do povo” à legalização de ponta a ponta, a Queijos Brun vivenciou uma nova realidade.
“Até então o queijo não era formalizado, dá para dizer até que era clandestino. Tinha a fama porque meu pai fez a propaganda do produto. Já era uma vontade dele e decidi que teríamos que legalizar e nós precisávamos de ajuda. Nesse momento que o Senar apareceu na minha vida”, relembra a queijeira.
Essa é a história do Transformando Vidas de hoje, confira:
O resultado foi a tão esperada legalização e, junto com ela, o selo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI), que permite a comercialização em todo o Brasil, sem perder sua essência artesanal.
“O processo de formalização de uma agroindústria demanda muitos requisitos. Por vezes é difícil conseguir convencer o produtor da importância desses processos. Mas aqui a Silvana, com a visão dela inovadora e renovada, conseguiu devagarinho aderir aquilo que a gente recomendou”, comenta a técnica de campo que atende a queijaria, Aline Bacca.
Reconhecimento do legado
E logo vieram os aplausos ao participar de competições e feiras por todo o Brasil. Na premiação mais recente, durante o Concurso de Queijos de Mato Grosso do Sul, o Brun foi o protagonista absoluto: ouro e prata na categoria “Massa Semi Cozida”, o segundo lugar na “Inovação Regional” e foi o super premiado do evento, na categoria “Prêmio Super Ouro”. Uma consagração que emocionou Silvana, sempre lembrando do pai.
O reconhecimento transcende os limites do estado. O Queijo Brun conquistou a medalha de prata na categoria parmesão da 8ª edição do Prêmio Queijo Brasil, considerada a maior competição de queijos, manteigas e doces de leite do país. O evento foi realizado em Blumenau (SC).

Concurso nacional teve participação 618 produtores artesanais de mais de 300 cidades e 2.200 amostras (Arquivo pessoal)
“Devo isso ao Senar também, sozinha eu não conseguiria. Quando recebo um prêmio, penso nele. Queria que ele estivesse ali recebendo esses troféus. Representá-lo é uma responsabilidade imensa, mas também um orgulho sem tamanho”, conta.

Silvana se emociona ao contar que se sente valorizando o legado do pai em cada premiação que participa (Foto: Assessoria/RuralTur MS)
A persistência do Início
A grandeza da conquista nasce de uma vida marcada por quedas e recomeços. Álido Brun, em São Gabriel, plantou soja, colheu vitórias por 16 anos e, de repente, perdeu tudo. Recomeçou em Chapadão do Sul, onde o solo arenoso não perdoava a lavoura. Tentou de novo, caiu de novo. O que para muitos seria motivo de desistência, para ele era combustível. Quando decidiu apostar no leite, esbarrou em preços injustos pagos pelos laticínios. E foi nesse momento, diante da dificuldade, que enxergou a saída: transformar o leite em queijo.
Sem nunca ter visto alguém fazer, sem nunca ter lido um manual, começou a experimentar. Perdeu leite, perdeu noites, perdeu dinheiro. Mas ganhou persistência. Teste após teste, criou um sabor que não cabia em comparações. Levou até os especialistas da Universidade Federal de Viçosa, que confirmaram: não havia nada igual. Nascia ali o queijo “único no mundo”.
“Aprendi muito observando que não existe ser humano que saiba o quanto de poder ele tem. Eu não sou um poderoso porque eu fiz o queijo. Todos são”, contava Álido em uma das muitas entrevistas concedidas ao longo da trajetória.

Além de empreendedor natural, Álido também era conhecido por bom humor e vitalidade (Arquivo Pessoal)
De vendedor nato, Álido transformou cada encontro em oportunidade: saía de casa sempre com um queijo debaixo do braço, levando sua criação a artistas, autoridades e até presidentes. Assim, o sabor foi conquistando corações e colocando o município Paraíso das Águas no mapa da gastronomia brasileira.
Com a força do Senar/MS e de parceiros, como Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Taquari (Cointa), desde 2021 quando seu pai faleceu, Silvana colhe os frutos da formalização e já sonha mais alto: expandir as vendas, abrir novos caminhos de comercialização e até levar o Queijo Brun para brilhar na França.
Um queijo que nasceu da teimosia de um homem, cresceu no colo de uma família e agora voa com as asas da formalização, do reconhecimento e da tradição. O Queijo Brun não é apenas alimento: é memória, é poesia, é história transformada em sabor. E para o Senar/MS, participar dessa trajetória é motivo de imenso orgulho: ver a determinação de Silvana e a genialidade de Álido sendo reconhecidas em todo o Brasil é a prova de que, com apoio técnico e incentivo certo, sonhos se transformam em conquistas que inspiram gerações.
(Da Redação)
(Com informações da Comunicação Senar/MS)
(Nota da Redação) – Eu, jornalista Maurício Hugo, hoje editor da plataforma Expressnews, nas décadas de 1980 e 1990, como editor de Economia e Agronegócio do jornal Correio do Estado, de Campo Grande, fiz inúmeras entrevistas com o Álido Brun e produzi diversas matérias divulgando o Queijo tão especial e todo o esforço daquele produtor, simples, divertido, humilde, mas extremamente corajoso e determinado. Fico satisfeito ao ver que sua filha, sua família, deram continuidade ao trabalho do “seu Brun”, que sempre que passava por Campo Grande, me procurava no Correio do Estado e, vez ou outra, me presenteava com a delícia que é o Queijo Brun.







