Escolas de samba de Corumbá envolvem suas comunidades na preparação do Carnaval

Sem espaços em seus barracões improvisados – a falta de infraestrutura ainda é um desafio para um dos maiores carnavais do interior brasileiro -, as dez escolas de samba de Corumbá estão se unindo para atrair as comunidades, apresentar a evolução dos preparativos para o desfile de 2026 e levantar fundos para o custeio do enredo.

Com o apoio da Liesco (Liga Independente das Escolas de Samba de Corumbá), as agremiações fizeram um grande evento neste domingo, reunindo mais de 1.200 pessoas, com churrasco e muito samba. O espaço, a Chácara da Mil, que fica na área urbana da cidade, foi alugado com taxa mínima pelo proprietário, o empresário da cadeia do turismo, Luiz Martins, incentivador da folia pantaneira.

“O objetivo desses encontros é envolver a cidade, em especial as nossas comunidades, e avisar o povo que o carnaval está chegando e precisamos desse calor humano para as coisas acontecerem dentro e fora dos barracões. Sem as comunidades o carnaval não é carnaval”, disse Zezinho Martinez, presidente da Liesco.

Zezinho Marrtinez, presidente da Liesco, ao lado dos dirigentes das dez escolas de samba de Corumbá

União faz a força

As escolas de samba, assim como os blocos e cordões carnavalescos, contam com apoio financeiro do Estado e do Município, que ainda não se manifestaram quanto a liberação dos recursos, previstos a partir de outubro. Enquanto isso, as escolas trabalham com as promoções para dar andamento na confecção de fantasias e carros alegóricos e os ensaios.

“As escolas são muito carentes, principalmente de público, e os eventos que a liga está promovendo agrega muito, todos se compartilharam e traz a comunidade para o seu seio”, assinala o carnavalesco Robson Lacerda (Xuxa), presidente da Império do Morro. “Essa pegada da liga é importante para fortalecer as escolas.”

Durante o evento do fim de semana, que reuniu a velha e nova gerações do carnaval corumbaense, as escolas de samba se apresentaram com suas baterias, puxadores de samba e passistas, com destaque para as rainhas e mestre-sala e porta-bandeira. Foram mais de cinco horas de shows, com o público dançando e vibrando.

Um dos entusiastas no salão era o carnavalesco Antero Sena Filho, 80 anos, um dos fundadores da Vila Mamona, onde foi presidente, mestre de bateria e hoje desfila ao lado da rainha da bateria por prazer e amor ao samba. “Precisamos dessa união e harmonia das escolas para que o carnaval aconteça. Estamos todos de parabéns”, disse.

Mestre-sala e porta-bandeira da Império do Morro dando seu show na passarela do salão da Chámara da Mil

Nos bairros

O presidente da Liesco informou que os eventos seguem até dezembro. A partir de janeiro, o calendário fica por conta da Fundação de Cultura do Pantanal, que realizará o carnaval nos bairros com a presença de todas as escolas de samba. No dia 12 de janeiro, na orla do porto-geral, vai acontecer o lançamento da folia 2026 com um grande show dos sambistas.

A ordem do desfile para o próximo ano, na Avenida General Rondon, já está definida. No dia 15 de fevereiro (domingo), saem as escolas Vila Mamona, A Pesada, Major Gama, Acadêmicos do Pantanal e Caprichosos de Corumbá: e no dia 16, Imperatriz Corumbaense, Estação Primeira, Império do Morro (campeã em 2024), Marquês de Sapucaí e Mocidade da Nova Corumbá.

(Silvio de Andrade)
lugares.eco.br

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