Acreditando que pode minimizar junto ao povo campo-grandense a péssima avaliação da prefeita Adriane Lopes, o deputado Lídio Lopes (sem partido), marido da prefeita, subiu à tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), na quarta-feira (29), para defender a gestão municipal de Campo Grande. Sem qualquer constrangimento, o deputado afirmou que falava “em defesa do Executivo municipal desta cidade, para demostrar alguns dados, pois vi um conteúdo em vídeo que atacava com inverdades a gestora”.
A Prefeitura Municipal de Campo Grande vive nos dias atuais um dos momentos de crise mais agudos da sua história. A situação financeira do município é hoje uma verdadeira “bomba relógio” prestes a explodir. A prefeita Adriane Lopes está fazendo “das tripas coração” para conseguir cumprir, pelo menos, a obrigação de pagar os salários e o 13º dos servidores efetivos da Prefeitura no final do ano. Para isso, chegou ao cúmulo de promover, em apenas um ano, três períodos distintos de renegociações de dívidas de impostos municipais, tentativas desesperadas de conseguir recursos.
Caos na saúde e transportes
Em outros setores o caos já está instalado. Na saúde, por exemplo, já nem se cita mais somente a falta de centenas de medicamentos, de equipamentos, de profissionais, falta tudo nas unidades de saúde do município. Agora, ainda mais grave, o quadro chega de forma indireta à Santa Casa de Campo Grande, hospital que recebe pacientes de todo o interior do Estado. Parte dos médicos que atuam no hospital se manifestam paralisando as atividades por falta de pagamento dos salários. Ocasionado pela falta de repasses contratuais da Prefeitura para a Santa Casa.
Há denúncias de desvio de recursos, inclusive federais. Verbas que deveriam ser direcionadas para o setor de saúde e que estariam sendo usadas para pagar compromissos de outra áreas, na tentativa de minimizar a grave crise em outro setor municipal, que é o do transporte público. A Prefeitura também não está conseguindo manter todos os compromissos com o Consórcio responsável pelo transporte público na Capital do Estado.
A situação vai se agravando mais e mais, na medida em que, por descumprir obrigações legais, outros recursos, federais ou estaduais, não estariam sendo injetados no município por questões administrativas. E assim a “bola de neve” vai crescendo e os serviços deixando de serem prestados.
Admitindo o descontrole
Ao mesmo tempo em que afirmava na tribuna da Assembleia que a prefeita estaria sendo acusada de inverdades, o deputado Lídio admite o grave problema financeiro caracterizado com a inscrição da prefeitura de Campo Grande no CADIN – Créditos não Quitados do Setor Público Federal, órgão que lista as administrações públicas devedoras e que ficam impedidas de receber novas verbas.
“Todas as gestões passam dificuldades, isso é verdade, o País e o Estado. Mas o que me trouxe aqui foi o nome do município de Campo Grande estar inscrito nos Créditos não Quitados do Setor Público Federal [Cadin], que funciona, como se fosse um Serasa para o município, isso motivou críticas que para mim são hipocrisias, todas as gestões tem algum problema”, ressaltou o deputado Lídio Lopes. Como hipocrisia? Se é uma realidade a inscrição de Campo Grande entre os devedores?







