A inteligência artificial (IA) vem ganhando espaço como ferramenta estratégica para a conservação, abrindo oportunidades para fortalecer a sustentabilidade da pesca, aprimorar a aquicultura e aumentar a eficiência da cadeia produtiva. Para os participantes do painel “Da IA à conservação inteligente”, no Seafood Talk Show, que encerra nesta quinta-feira (22/10), no Distrito Anhembi, em São Paulo, a combinação entre inteligência artificial, monitoramento ambiental e gestão sustentável dos recursos pesqueiros representa uma oportunidade para aproximar inovação tecnológica e conservação. “O desafio será ampliar o uso dessas ferramentas de forma acessível e eficiente, garantindo que os ganhos de produtividade caminhem junto com a conservação do pescado. Para isso, há necessidade de um olhar para a cadeia do frio desde a pesca até o consumidor final, segundo Leandro Kanamaru, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura. “Nós, da Embrapa, entendemos a importância de reunir o setor produtivo, o mercado e a universidade para juntos buscarmos soluções para as diferentes realidades do setor”.
Já a gerente divisional de Tecnologia e Inovação e secretária executiva da Abimaq, Anita Dedding, afirma que a indústria 4.0 brasileira não fica a dever para as grandes economias, mas alerta que a grande dificuldade é identificar as necessidades atuais diante de tantas opções tecnológicas disponíveis. “A palavra-chave é conectividade”, afirma ela, defendendo que é preciso comunicação e alinhamento entre as máquinas e equipamentos já instalados que podem agregar modernidade e inovações dentro do conceito de transformação digital. A transição, entretanto, requer profissionais integradores das diferentes tecnologias.
O pescado no centro da economia azul

Abrindo o talk intitulado “O Pescado no Centro da Economia Azul: sustentabilidade, financiamento e acesso a mercados”, a diretora-executiva da Paiche Consultoria, especializada na cadeia do pescado, Cíntia Miyaji, alertou para o risco do estoque dos oceanos colapsar por falta de uma gestão mais sustentável, que só começou a ser feita nos anos 90, quando o bacalhau estava ameaçado de extinção. A seu ver, faltam estatísticas para um maior controle do desequilíbrio através da administração de número de barcos, de concessão de licenças e época própria de pesca, o que começa a ser revertido com a retomada do monitoramento pesqueiro. A Marinha do Brasil já conta com metodologia para um melhor planejamento espacial, e também já houve reconhecimento da pesca artesanal. Precisamente ontem, quarta-feira (21/10) uma portaria do governo federal cria o programa Pro-Estoques o que sinaliza para dias melhores.
Dariane Schoffen Enke, da Unesp, diz que o consumo vem aumentando timidamente a cada ano e para aumentá-lo mais o pescado precisa ter preço competitivo, como forma de fazer com que as pessoas incluam o pescado na sua dieta em, pelo menos, um ou dois dias semanais, em substituição ao frango ou ao suíno. Ao mesmo tempo, é preciso aumentar a disponibilidade do pescado.
Sobre financiamento e acesso dos pescadores, em especial da pesca artesanal, Sarah de Oliveira, da Lex Experts, diz que “hoje, no Brasil, enfrentamos grande dificuldade de encontrá-lo com facilidade nos açougues, mercadinhos dos bairros e nas periferias,. “Isso reflete bastante a tradição da forma de consumo desse pescado”, diagnosticou Oliveira. Ela defende que “todos os diferentes setores que utilizam os recursos marinhos precisam ter acesso a políticas públicas e a financiamento de maneira equitativa, participando com justiça do domínio dessa economia”, afirma, acreditando que há uma boa estrutura de políticas públicas, mas precisamos repensar a forma de acesso a elas.
Canetas emagrecedoras e pescado
A popularização das canetas emagrecedoras, o GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, chega como uma oportunidade para o setor de pescado, mas o mercado ainda não percebeu o potencial do pescado no processo de emagrecimento moderno. O alerta foi feito por Elane Correia, CEO da EC Consultoria, no painel “Menos volume, mais valor”.
Apesar da dinâmica de compra estar sofrendo mudanças, Kesly Gomes, da Worldpanel by Numerator, também reconhece que o setor de pescado ainda não está se apropriando desse mercado em ascensão, que priorizam a densidade nutricional e produtos premium. “O mercado de pescado surge como um dos maiores beneficiados dessa revolução biológica e econômica”, assegura ela referindo-se a alimentos ricos em proteínas e de fácil digestão, como o pescado.







