Não bastasse a saúde, crise agora ameaça parar o transporte coletivo em Campo Grande

Campo Grande vive dias de tensão e grande preocupação. Diversas áreas que envolvem o dia-a-dia da população enfrentam sérias dificuldades, como no atendimento na saúde pública e também no setor de atendimento aos usuários do transporte coletivo. É de conhecimento geral o quadro desesperador na saúde, com a falta de remédios, de médicos, enfim, de uma assistência digna ao povo campo-grandense. Também a relação entre a Prefeitura e a direção da Santa Casa – que é conveniada com a municipalidade para prestar atendimento de pronto socorro – está estremecida.

No segmento do transporte público a situação vinha se agravando já há alguns meses, estando a Prefeitura também descumprindo compromissos financeiros com o Consórcio Guaicurus, o que vinha motivando a empresa a solicitar o reajuste no valor da tarifa, para compensar o que não recebia do poder público. Nesse aspecto nada se resolveu, pois a prefeita Adriane Lopes não atendeu nenhuma das reivindicações do Consórcio.

Dificuldade do Consórcio e descumprimento de compromisso

Como vem convivendo com todas essas dificuldades e com o “jogo-de-empurra” entre a instituição privada e o poder público, acabou que os trabalhadores do transporte coletivo urbano de Campo Grande não receberam o pagamento do vale mensal, que deveria ter sido depositado no último dia 20. Foi a gota-d’água. A falta do benefício levou motoristas e cobradores a paralisarem as atividades na manhã de quarta-feira (22), deixando milhares de pessoas sem transporte desde as primeiras horas do dia. Mas foi uma paralisação relâmpago. Porém, para essa quinta-feira, poderá acontecer algo mais sério, com uma paralização mais duradoura.

Para a vereadora Luiza Ribeiro (PT), a situação é inaceitável e revela o descaso do Consórcio Guaicurus e a omissão da Prefeitura diante de um problema que afeta tanto os trabalhadores quanto a população.

“Ninguém é obrigado a trabalhar sem receber o que é mais sagrado para si e sua família: o salário! É um absurdo que, em plena capital, motoristas e cobradores fiquem sem o mínimo de garantia de seus direitos”, afirmou a vereadora.

O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano informou que tentou resolver a situação por meio do diálogo, mas recebeu uma resposta considerada inaceitável: o consórcio afirmou não ter “fluxo de caixa”.

“Como assim não tem fluxo de caixa? O Consórcio Guaicurus recebe da população à vista, inclusive valores altos da compra antecipada do vale-transporte, feita por pessoas e empresas. Além disso, possui outras fontes de receita. Nada justifica penalizar os trabalhadores com o atraso de salário”, destacou a vereadora.

Luiza também criticou a postura da prefeita Adriane Lopes (PP), que foi pessoalmente informada sobre o problema e, mesmo assim, preferiu se calar. “Mais uma vez, a prefeita se omite diante de uma situação grave que atinge quem carrega esse serviço nas costas e quem depende dele todos os dias”, disse.

A vereadora lembrou ainda que, durante os trabalhos da CPI do Transporte Coletivo, foram apontadas várias irregularidades na atuação do Consórcio Guaicurus, como descumprimento contratual, falta de transparência e precarização do serviço.

“Os alertas foram feitos, mas nada mudou. É urgente que a Prefeitura e a Agereg cobrem providências imediatas. Quem paga o preço são os trabalhadores e a população, que desde as 4h da manhã ficaram esperando o transporte voltar a circular”, concluiu.

Reunião na Câmara

Após a reunião realizada na Câmara Municipal de Campo Grande, convocada pelo pressionado e assustado presidente da Casa, Epaminondas Neto, em razão da paralisação no transporte coletivo da Capital ocorrida na manhã de quarta-feira (22), o vereador Dr. Lívio, presidente da Comissão de Transporte e da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte Coletivo, concedeu entrevista e voltou a cobrar soluções efetivas para o setor.

O vereador lembrou que esse problema já havia sido identificado pela CPI e que o relatório final, elaborado pela vereadora Ana Portela — fruto de um trabalho coletivo de todos os membros —, foi bastante consistente e indicou uma série de medidas necessárias para evitar esse tipo de situação.

“Nós já prevíamos que isso iria acontecer, colocando a responsabilidade, primeiramente, na atuação da Prefeitura, que é quem tem o poder de concessão do transporte coletivo, e estamos aguardando ainda que ela se manifeste”, disse o vereador, que não exime as responsabilidades do Consórcio, o qual também apresenta muitas deficiências que precisam ser sanadas.

A paralisação de duas horas, que causou caos na Capital, foi motivada pelo não pagamento do vale dos funcionários pelo Consórcio, que, por sua vez, alega atraso nos repasses por parte dos Executivos Municipal e Estadual.

“A Câmara Municipal não vai ser refém nem do Consórcio Guaicurus nem da Prefeitura. Nós estaremos sempre ao lado da população de Campo Grande, que é quem realmente está sofrendo”, afirmou.

(Da Redação)
(Com informações da Comunicação da Câmara)

 

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