Sistema da Dívida desvia recursos e sufoca a Previdência Social

A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) reuniu especialistas para discutir “O Sistema da Dívida e a reiterada ameaça à Previdência Social”, em mais uma atividade de celebração dos 25 anos da entidade. Os ataques à previdência pública e a substituição do regime de benefício definido pelo de contribuição definida foram alguns dos tópicos debatidos, assim como a precarização do trabalho, a informalidade e a pejotização, que reduzem o número de contribuintes à Previdência Social.

O economista José Menezes Gomes, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), afirmou que o chamado déficit da Previdência não passa de uma construção ideológica. “A maior fake news da história é dizer que a previdência pública é insustentável. Essa narrativa serve para empurrar trabalhadores para os fundos de pensão, que nada garantem.” Ele lembrou que, bem no dia do debate, foi revelado que alguns fundos de pensão de funcionários municipais e estaduais têm em suas carteiras títulos do Banco Master sem proteção do FGC, dentro da lógica que os gestores são obrigados a seguir para obter o máximo rendimento possível.

A professora Juliana Teixeira mostrou como o desmonte da CLT e a chamada uberização do trabalho esvaziam as contribuições sociais. “Quando se desmontam direitos, fragiliza-se também a Previdência, deslocando recursos para um sistema que só favorece o capital”, observou.

A assistente social Viviane Perez apresentou um retrato preocupante do INSS, onde servidores sobrecarregados convivem com barreiras crescentes impostas à população. Esse cenário, destacou, evidencia o caráter perverso das chamadas contrarreformas.

O professor José Augusto Lyra considera incoerente alegar déficit em meio ao desvio de recursos da seguridade social. “O próprio Estado desvia receitas e, depois, justifica novas reformas alegando falta de recursos”, disse.

O jornalista e escritor Felipe Pena, professor da UFF, chamou atenção para a disputa de narrativas. Ele lembrou que muitos jovens passaram a ver o vínculo CLT como ofensa, reflexo de uma manipulação ideológica. Pena defendeu que esse debate não pode ficar restrito ao campo acadêmico; é preciso que os atores, especialmente os profissionais de comunicação, levem a discussão a um público amplo.

O encerramento ficou a cargo da coordenadora nacional da ACD, Maria Lucia Fattorelli, que reforçou a ligação direta entre os ataques à Previdência e o Sistema da Dívida: “A narrativa do déficit é construída para justificar cortes em direitos e liberar recursos para o pagamento de juros. Defender a Previdência é defender a vida e a dignidade do povo brasileiro”.

Fonte
Monitor Mercantil
Jornalismo AEPET

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